Qualidade de Terceira
por Paulo Kiss - www.piniweb.com
Fonte: Editorial Revista PINI Construção Mercado nº 16 (Novembro de 2002)

Um grupo de contrutoras de São Paulo divulgou a pouco tempo um estudo quantitativo das principais reclamações dos compradores de imóveis nos cinco primeiros anos de ocupação. Um outro estudo feito pelo Sinduscon-SP mostrou em seguida que os dados eram semelhantes: depois dos problemas com alnevaria e estrutura (trincas e fissuras), a impermeabilização, instalações elétricas e hidráulicas e pintura são os principais foco de litígios entre construtoras e moradores. Um dos objetivos desses estudos era saber se os problemas eram os mesmos e qual o percentual gasto pelas empresas com recalls pós-ocupação.

Outro objetivo (esse de fato o mais importante) era saber se os prazos de garantia de forncedores condiziam com a qualidade dos produtos e serviços. A questão da garantia foi duramente discutida (até mesmo questionada), mas ainda está longe de uma solução. Muitos componentes e sistemas apresentam durabilidade inferior ao prazo de garantia da obra, que legalmente é de 5 anos. A reação em cadeia, bastante natural, leva construtores a uma situação de conflito com seus fornecedores. Estes alegam que seus produtos foram mal-instalados ou destinadosa um uso incorreto. De fato, às vezes é verdade.

Grande parte dos problemas tem origem na desqualificação das empresas subcontratadas. De acordo com consultores de qualidade, são justamente os serviços que exigem maior cuidado de instalação ou aplicação de materiais os que mais geral problemas. Não é por acaso, são serviços normalmente delegadps a terceiros, ou seja, cuja mão-de-obra não faz parte do escopo técnico da construtora.

Não se trata aqui, porém, de empunhar bandeira contra a terceirização, mesmo porque seria ridículo: algo em torno de 95% das construtoras subcontratam, ou melhor, terceirizam serviços, como fazem todos os outros setores "montadores".

A questão a ser discutida é outra: como controlar a qualidade dos serviços e qualificar as empresas subcontratadas?

No âmbito das obras públicas há mecanismos como o PBQP-H e o Qualihab, mas como administrar a questão da qualidade do setor privado?

algumas construtoras até possuem mecanismos de qualificação de terceiros, mas ainda estamos monge da regra. É importante discutir também o que pode ser terceirizado 9ou subcontratado, se preferir) e o que a construtora não deve abrir mão de fazer.

Em cada segmente de obras, a construtora deve avaliar o que é estratégico e o que requer expertise consolidado e exigir qualificação competente na área, seja de sua equipe ou de terceiros. É exatamente isso que discutimos nessa edição.









 



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